Ilha
Há lugares que nos acolhem com a sua quietude, como se tivessem sido moldados para servir de refúgio entre o mar e a montanha. Numa ilha, sentimos essa estranha dualidade: o conforto de um espaço finito, protegido e quase íntimo — e, ao mesmo tempo, a consciência constante de que o horizonte é sempre água. Vivemos entre a segurança daquilo que não muda e a tensão silenciosa do que nos limita. Talvez seja por isso que as ilhas nos atraem tão profundamente: recordam‑nos que a liberdade pode ter margens e que, por vezes, o sentido de pertença cresce exatamente onde o caminho termina e o oceano começa.