Alcochete view
Foram apenas dois dias em Alcochete, mas suficientes para sentir o encanto desta vila à beira do Tejo. O tempo não colaborou — a chuva fina e o céu cinzento acompanharam cada passo pelas ruas de calçada, mas, de certa forma, isso deu um charme especial à experiência.
Com a fuji, sempre com a fuji, capturei detalhes que talvez passassem despercebidos em dias de sol. A luz difusa realçava as texturas das fachadas antigas, os reflexos nas poças d’água transformavam o chão em um espelho efêmero, e as poucas pessoas que se aventuravam pelas ruas traziam uma certa melancolia às imagens.
Na praia deserta, a árvore morta mostra-se como uma escultura esquecida pelo tempo. Seus galhos retorcidos apontam para o céu nublado, enquanto a areia húmida guarda sua sombra solitária. O Tejo, ao fundo, avança e recua indiferente, como se sussurrasse histórias de vida que já se foram. Há uma beleza melancólica na cena — um silêncio que ecoa, um fim que também é memória.